O Futuro da Distribuição· Documento de Visão

O Futuro
da Distribuição

MODERNIZAR A REDE HOJE PARA TER UMA LICENÇA PARA VENCER AMANHÃ

 

INTERNO · DIRETORIA DE INOVAÇÃO - GRUPO ENERGISA 

Sumário.

Seção 00
Visão geral e estrutura
  • 01Introdução
  • 02Vetores de Mudança
  • 03Energisa do Futuro
  • 04Principais papéis para a Energisa
  • 05Perspectivas de Futuro da Distribuição
  • 06O futuro escrito hoje
Cap. 00, EstruturaEnergisa · Confidencial03
01Introdução

O futuro da Distribuidora começa agora

Bairro residencial com painéis solares, turbinas eólicas, veículo elétrico e carregadores conectados por fluxos de energia

O setor elétrico está mudando.

Durante décadas, a rede foi construída para levar energia de um ponto a outro, com previsibilidade, estabilidade e eficiência. E continuará sendo assim. No entanto, além de conectar pessoas e empresas, a distribuidora passa a conectar outras tecnologias, dados e novas formas de consumir e gerar energia numa escala maior.

Nesse novo cenário, a distribuidora deixa de apenas responder ao que acontece na rede. Ela passa a antecipar movimentos, coordenar diferentes recursos e criar as condições para que o sistema evolua.

E o perfil do cliente também mudou. De consumidor passivo, se tornou parte ativa dessa transformação. Pode gerar, armazenar, escolher de quem comprar energia e participar cada vez mais das decisões que movimentam o sistema.

É nesse encontro entre uma rede mais inteligente e um cliente mais protagonista que nasce uma nova oportunidade para a Energisa: ir além da operação tradicional e assumir um papel cada vez mais ativo na construção do futuro do setor. Nossa missão neste trabalho é preparar a Energisa para esse cenário antes que ele se imponha. Antecipar tendências em vez de reagir a elas. Construir as capacidades que a nova operação vai exigir, ampliar nossa atuação para além do negócio tradicional, explorar as oportunidades que a flexibilidade e os novos serviços abrem, e responder a um cliente cada vez mais exigente e com mais alternativas. Movimentos assim não se fazem no prazo em que a urgência aparece: exigem decisão antecipada. É por isso que o futuro da distribuidora começa agora.

Plano de trabalho

Do discovery ao roadmap: onde estamos na jornada

Para atuar nessa transformação, foi estruturado um programa que avança por etapas encadeadas, do discovery ao roadmap, com gates decisórios entre elas. Cada etapa entrega um resultado concreto que habilita a seguinte, de modo que a construção do futuro da distribuidora seja progressiva e verificável. Essa revista, assim como relatório previamente enviado, consolida a conclusão da Etapa Definição da Visão.

  1. 0115/04 · Concluído

    Discovery

    Construir o alinhamento estratégico inicial sobre o futuro da distribuidora.

    Conteúdos
    • Workshop com lideranças
    • Benchmark internacional de DSO
    • Rodadas de validação
    Resultados esperados
    • Direcionadores estratégicos
    • Visão preliminar do DSO
    • Alinhamento executivo inicial
  2. 0204/08 · Concluído

    Definição da Visão

    Definir a visão do futuro da distribuidora e os drivers da transformação.

    Conteúdos
    • Declaração da visão Energisa
    • O que queremos ser e o que nos diferencia
    • Pilares da transformação
    Resultados esperados
    • Documento formal com a visão consolidada
    • Mandala do futuro da distribuidora
  3. 0324/08 · Etapa atual

    Definição de Escopo

    Definir o escopo do programa: o que faz e o que não faz parte.

    Conteúdos
    • Declaração do que é e do que não é escopo
    • Definição do que faz e do que não faz parte da jornada
    Resultados esperados
    • Escopo consolidado e validado do programa
  4. 04A definir

    Desenho do Portfólio

    Definir com clareza o portfólio de iniciativas.

    Conteúdos
    • Separação do portfólio em programas
    • Quantas e quais serão as frentes
    • Interdependências entre as frentes
    Resultados esperados
    • Estrutura do portfólio definida
  5. 05A definir

    Governança

    Definir o modelo de decisão e acompanhamento do programa.

    Conteúdos
    • Quem reporta e quem lidera as frentes
    • Ritos executivos e cadência
    • Fluxo decisório
    Resultados esperados
    • Modelo de governança e responsáveis
    • KPIs das frentes de trabalho
  6. 06A definir

    Definição do Roadmap

    Transformar a visão em um plano evolutivo de implementação.

    Conteúdos
    • Roadmap por frente e quick wins
    • Iniciativas estruturantes
    • Orçamento estimado por fase e critério de go / no go
    Resultados esperados
    • Roadmap evolutivo
    • Visão de capacidades futuras
    • Plano inicial de execução

Etapas 01 e 02 concluídas · Etapa 03 em andamento · Etapas 04 a 06 previstas, com gate decisório entre cada uma.

Palavra da liderança

“Nenhuma transformação acontece de forma isolada. Construir o futuro da distribuidora exige diferentes olhares, conhecimentos e experiências trabalhando em uma mesma direção. Este trabalho nasce justamente dessa colaboração entre áreas, que nos permite olhar para o setor de forma mais ampla, antecipar mudanças e transformar desafios em oportunidades.

As perspectivas que apresentamos a seguir são resultado desse esforço conjunto. Elas nos ajudam a entender onde o setor está chegando, onde precisamos evoluir e quais capacidades precisamos construir para estar preparados. Mais do que antecipar o futuro, nosso papel é construí-lo juntos, conectando pessoas, conhecimento e inovação para transformar visão em realidade.”

Letícia Dantas, Diretora de Inovação do Grupo Energisa
Letícia Dantas
Diretora de Inovação · Grupo Energisa
Cap. 01, Introdução01
02Contexto estratégico

Os Vetores da Mudança que estão redesenhando a Distribuição

Contexto editorial

A transformação do setor não é resultado de um único vetor, mas da convergência de diversos vetores de mudança simultâneos, cada um com dinâmica própria, mas com efeito amplificador sobre os demais. Tratá-los isoladamente leva a respostas fragmentadas e ao subdimensionamento da resposta corporativa.

2.1

Os vetores de mudança que estão redesenhando a distribuição

O Brasil tem hoje uma das maiores taxas de inclusão de geração distribuída do mundo em termos relativos, com forte concentração em BT e MT urbanas, gerando limitações na capacidade de acomodação (hosting capacity) em alimentadores, subestações e até linhas de transmissão.

Capacidade instalada projetada (GW)
MMGD
69,7 GW
em 2030 · 47,7 GW em 2026
Eólica
36,1 GW
em 2030 · 34,6 GW em 2026
Solar centralizada
24 GW
em 2030 · 20,8 GW em 2026
Força 01

Empoderamento e mudança de comportamento do cliente

Cliente com REDs (painéis solares, armazenamento, VE), elevação da expectativa digital por padrão de outros setores, desejo por novas alternativas de modalidades tarifárias, e liberdade de escolha de fornecedor com a abertura do Grupo B.

Impacto na distribuidora

Cliente deixa de ser consumidor passivo e passa a atuar como agente ativo, exigindo novas jornadas, modalidades e níveis de serviço.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Redução de custo de atendimento via jornadas digitais, autosserviço e resolução na primeira interação
  • Adesão a modalidades tarifárias que deslocam consumo, aliviando a rede e postergando reforços (condicionada à evolução regulatória)
  • Redução de perdas e inadimplência pela qualificação do relacionamento e do conhecimento do perfil de consumo
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Oferta de produtos e serviços energéticos sobre a base instalada de relacionamento (armazenamento, eficiência, gestão de consumo)
  • Retenção e reconquista de clientes com potencial de migração por meio de pacotes integrados de rede, energia e serviços
Força 02

Descentralização

Fontes de energia renováveis intermitentes em crescimento — MMGD: 47,7 GW (2026) e 69,7 GW (2030); eólica: 34,6 GW (2026) e 36,1 GW (2030); solar: 20,8 GW (2026) e 24 GW (2030).

Impacto na distribuidora

Fluxos bidirecionais na rede com novas restrições locais e novas curvas de carregamento dos circuitos.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Potencial postergação de CAPEX e redução de custos operacionais via utilização da flexibilidade como alternativa às soluções tradicionais de melhoria da rede
  • Redução de custos com adequação de rede através da oferta de modelos flexíveis de conexão de novas cargas
  • Redução de riscos e penalidades (confiabilidade da rede) através da flexibilidade, usada para gerenciar falhas e manutenções, evitando multas por interrupção de fornecimento
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Atuação como agregador / VPP comercial e prestação de serviços ancilares
  • Energy as a Service (EaaS) através da implantação de NWAs para clientes residenciais, comerciais e industriais
Força 03

Descarbonização e eletrificação da economia

Eletrificação de transportes, calor industrial e hidrogênio verde.

Impacto na distribuidora

Crescimento estrutural de carga em horários atípicos, picos locais (carregamento de VEs) e novas topologias de demanda.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Aumento de receita decorrente de novos clientes e do aumento no consumo de energia
  • Desenvolvimento de tarifas personalizadas para potencializar margem de receita, melhoria de rede e benefícios ao cliente (considerando evolução da regulação)
  • Captura de receita para serviço de entrega de energia com qualidade superior para clientes com operação crítica (produto qualidade premium)
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Novas receitas através de oferta de produtos para gestão de carregamento visando maximizar níveis de operação de frotas corporativas (ônibus, táxis, frotas, logística)
  • Captura de novas receitas pela oferta de serviços de eletrificação e descarbonização
Força 04

Digitalização

AMI, IoT, IA generativa e aplicada, edge computing, gêmeos digitais, smart meters, redes de conectividade e sensores climáticos.

Impacto na distribuidora

Salto de granularidade de dados, mudança no modelo operacional, novas competências, cibersegurança como risco existencial e necessidade de comunicação ininterrupta com equipamentos, sensores e clientes.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Maximização e otimização da utilização de ativos pela observação da condição de saúde ao longo do ciclo de vida
  • Comercialização (no que a regulação permitir) de dados agregados e anonimizados sobre comportamento da rede, no conceito de Open Energy
  • Aumento de receita por melhoria de relacionamento: agilidade no atendimento, antecipação de necessidades, personalização de ofertas e modalidades tarifárias mais adequadas
  • Redução de perdas não técnicas
  • Manutenção da rede mais eficiente, habilitando ações preditivas
  • Soluções de compartilhamento de infraestrutura de rede, modelos multisserviços na distribuição e soluções para data centers
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Serviço de eficientização de consumo baseado no perfil
  • Comercialização de produtos (software) desenvolvidos internamente para outras utilities ou setores adjacentes
Força 05

Reconfiguração regulatória e de mercado

Abertura do mercado livre para o Grupo B, tarifa branca, regulação de armazenamento, evolução do prosumidor e mercados de flexibilidade.

Impacto na distribuidora

Separação fio/comercialização na percepção do cliente, novos papéis e remuneração, pressão sobre a receita tradicional e definição da governança entre operadora do fio e operadora de energia.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Incentivos regulatórios diretos (receita baseada em desempenho) através de premiações ao atingir metas de inovação e facilitação de mercado
  • Eficiência financeira pela economia gerada com o uso da flexibilidade frente a obras físicas de expansão (no Reino Unido, 50% da economia fica com a empresa e 50% com o consumidor)
  • Remunerar soluções NWA em bases equivalentes aos ativos atuais de rede converte flexibilidade em alternativa economicamente viável
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Trading e estruturação de produtos energéticos conforme aumento da volatilidade do mercado, para clientes que querem soluções mais sofisticadas que a tradicional (caso da Octopus, no Reino Unido)
Força 06

Resiliência climática

Aumento de eventos extremos, exigências regulatórias de DEC/FEC e pressão social pós-eventos.

Impacto na distribuidora

Aumento de eventos climáticos extremos e pressão crescente por resiliência de rede por meio de recomposição automatizada.

Oportunidades · ambiente regulado
  • Reconhecimento tarifário de investimentos em resiliência
  • Potencial economia com redução de compensações pagas, por meio da reconfiguração do mecanismo DEC/FEC — hoje eventos climáticos severos penalizam a distribuidora mesmo fora do controle operacional razoável
  • Busca de mecanismos regulatórios de bônus por desempenho superior em recomposições de interrupções
Oportunidades · ambiente não regulado
  • Serviços de resiliência diferenciada para clientes que exigem confiabilidade superior à regulada (hospitais, data centers, indústrias críticas), com remuneração específica
  • Novas receitas pela implantação de microgrids como solução de resiliência em áreas de difícil atendimento
  • Venda e operação de baterias residenciais e comerciais para autoconsumo, backup e redução de demanda
  • Soluções integradas de backup e UPS empresariais para clientes que não toleram interrupções
2.2

O custo da inação

A inação, ou a inação parcial, não é um cenário neutro: é uma escolha estratégica com custo crescente. A distribuidora que postergar a transição enfrentará deterioração simultânea em múltiplas dimensões.

O custo da inação é crescente

Quanto mais a distribuidora postergar a construção de novas capacidades, maior será o gap entre o que o futuro exige e o que a empresa é capaz de entregar.

NÍVELTEMPOGAP+3 ANOSGAP+5 ANOSGAP+10 ANOSHOJEComplexidade de operar e atendernovas exigências dos clientesCapacidades atuais da distribuidora

A inação não é neutra. Postergar é abrir mão de resiliência, eficiência, competitividade e valor para o cliente e para a sociedade.

O tempo não reduz o problema — ele multiplica. Agir agora reduz custos e posiciona a distribuidora para liderar o futuro.

Gráfico conceitual e ilustrativo

Riscos potenciais da inação
  • Operacional

    Fluxos reversos, restrições de hosting capacity e deterioração da qualidade da tensão.

  • Econômico

    CAPEX crescente, custos adicionais e perda de receitas.

  • Regulatório

    Penalizações, perda de influência e descolamento entre custo reconhecido e real.

  • Competitivo

    Captura de valor por terceiros, comoditização do fio e perda de relevância.

  • Institucional

    Perda de protagonismo e capacidade de influenciar o futuro do setor.

  • Reputacional

    Maior pressão política, deterioração da percepção e perda de licença social.

Cap. 02, Contexto estratégico e drivers02
03Visão

A Energisa do Futuro

Palavra da liderança

“A distribuidora não busca dominar os mercados de flexibilidade. Busca cumprir sua responsabilidade legal de operar uma rede elétrica segura, confiável e eficiente em um sistema cada vez mais dominado por recursos distribuídos e intermitentes. Isso exige duas coisas ao mesmo tempo: autoridade operacional sobre a rede local e neutralidade funcional no mercado que se forma sobre ela.  Definimos as necessidades, publicamos os requisitos e contratamos de forma aberta, mantendo o despacho com o operador. Quem participa concorre em igualdade, inclusive quando é do nosso próprio Grupo."

01

Reconhecer o DSO como operador local do sistema

O DSO deve manter autoridade sobre a gestão de congestionamento, controle de tensão, capacidade de hospedagem e segurança operacional local.

02

Separar o controle operacional da participação comercial

O DSO deve definir as necessidades da rede, publicar requisitos transparentes de flexibilidade e adquirir serviços por meio de mecanismos abertos e tecnológicos sempre que existir oferta competitiva, sem impedir que uma subsidiária do grupo participe.

03

Preservar um “direito de agir” regulado

Os reguladores deveriam permitir que o DSO possua ou opere ativos de flexibilidade apenas quando claramente justificado — por exemplo, quando os mercados falham, a concorrência é insuficiente ou a segurança da rede exige ação imediata e urgente — com aprovação regulatória e contabilidade limitada.

04

Adotar a neutralidade funcional em vez da separação estrutural

Governança forte, compras transparentes, firewalls de informação e regras de alocação de custos costumam ser mais eficazes do que proibir a propriedade comum ou impor separação organizacional excessiva, como defende a ABRACEEL.

05

Tratar a flexibilidade como parte do planejamento integrado da rede

A flexibilidade deve ser avaliada junto com o reforço convencional como uma alternativa non-wire, com análise consistente de custo-benefício que compare custos ao longo da vida útil com opções reais, resiliência e confiabilidade.

06

Construir um ecossistema aberto e local de flexibilidade

Publicar mapas de capacidade de hospedagem, restrições de rede e produtos padronizados, permitindo que agregadores, clientes e provedores de tecnologia compitam em igualdade de condições, mantendo a autoridade operacional de despacho com o DSO.

07

Alinhar os incentivos aos resultados do sistema como um todo

A regulação por incentivos deve recompensar os DSOs por minimizar os custos totais do sistema, aumentar a capacidade de hospedagem dos REDs, reduzir a restrição e adiar investimentos desnecessários na rede — não apenas por expandir os ativos regulados.

Ricardo Botelho
Ricardo Botelho
CEO · Grupo Energisa

O papel da Energisa do Futuro continuará ancorado na entrega segura, eficiente e acessível de energia, mas com atuação ampliada: integrar novas tecnologias, responder a mudanças no comportamento dos consumidores, operar uma rede com maior variabilidade e oferecer serviços que, por um lado, aumentem a qualidade, a confiabilidade e o valor percebido pelo cliente e, por outro, empilhem receita sobre a remuneração tradicional da concessão.

Do ponto de vista estratégico, a distribuidora deixa de ser apenas uma operadora de ativos físicos e passa a atuar como gestora integrada de infraestrutura crítica, dados, serviços e experiência do cliente. Isso exige maior capacidade de gestão em tempo real, uso estruturado de dados, automação operacional e planejamento integrado da rede, combinando infraestrutura elétrica robusta com capacidades digitais, cibersegurança e inteligência analítica.

O cliente passa a ocupar posição central: não apenas como consumidor ou potencial prosumidor, mas como usuário de serviços cada vez mais digitais, exigente em confiabilidade, transparência, preço, conveniência e atendimento.

A visão do Grupo Energisa é acumular, por meio da distribuidora, o papel de proprietária e gestora da rede e operadora do sistema de distribuição (DSO), cumprindo a responsabilidade legal de operar uma rede segura, confiável e eficiente em um sistema cada vez mais dominado por recursos distribuídos e intermitentes. A Energisa deverá ser capaz de atuar em um ambiente mais complexo, digital, distribuído e orientado pelo cliente.

No ambiente não regulado, os demais negócios do Grupo para o setor elétrico poderão continuar atuando na comercialização de energia e explorar o mercado de flexibilidade como agregadores de REDs, conforme viabilidade a ser avaliada em seus respectivos programas.

3.2

O que queremos ser

O Grupo Energisa deseja ser um dos pioneiros na transição energética do Brasil, em um cenário em que clientes convencionais, prosumidores, frotas de veículos elétricos, armazenamento, comunidades de energia, agregação, comercializadores varejistas e novos prestadores de serviços energéticos coexistam. Nesse ambiente, a distribuidora, como braço regulado, atuará também como elemento integrador e operadora do sistema, gerenciando a complexidade dos fluxos bidirecionais, viabilizando a conexão padronizada e segura dos REDs e estabelecendo as interfaces técnicas, os dados e as regras que permitem que múltiplos agentes, incluindo outros negócios do Grupo, capturem valor.

Essa transformação parte de uma convicção muito clara: a rede de distribuição não apenas continuará sendo ativo estratégico, como se tornará o ponto de convergência indispensável entre infraestrutura, dados, mercado e cliente. Quem operá-la com excelência técnica, flexibilidade operacional, inteligência digital, neutralidade funcional na coordenação do ecossistema, proximidade com o cliente e visão de longo prazo ocupará posição central no novo sistema elétrico, capturando valor não pelo controle exclusivo, mas pela capacidade de orquestrar.

Panorama do futuro da distribuição: operações de rede com orquestração de REDs, planejamento inteligente, cliente no centro, gestão de ativos, soluções energéticas, plataforma digital e de dados, sustentabilidade, papéis regulados e não regulados e tecnologia
Panorama ilustrativo do futuro da distribuição
DimensãoEnergisa hoje (referência)Energisa do Futuro
Papel sistêmicoDNO, operadora do fio, fluxo unidirecional, foco em entrega de energiaDNO (proprietária e gestora dos ativos de rede) e DSO, operadora ativa do sistema, orquestrando NWAs, dados e flexibilidade
Modelo operacionalOperação reativa baseada em alarmes, planejamento determinístico, despacho de serviços manualOperação preditiva, decisão assistida por IA, planejamento probabilístico, despacho automatizado e roteirizado e programas de resposta à demanda
Relação com ONS/TSOSubordinação: segue instruçõesCoordenação: provê e consome serviços de flexibilidade (TSO–DSO)
Gestão de ativosPriorização de manutenção baseada em risco, com exploração limitada de dados e algoritmosGestão do ciclo de vida do ativo com base no valor, digitalização de processos, integração de dados em gêmeo digital, assistida por IA e algoritmos especialistas
Sensoriamento e automaçãoObservabilidade limitada a SE e MT; clientes Grupo A; BT pouco visível; SCADA com funções básicas e recomposição manual ou semiautomáticaObservabilidade ampliada em MT/BT, sensoriamento + AMI, ADMS com self-healing, Volt-var, estimador de estados, integração DERMS e funções preditivas
ClienteRelacionamento transacional, comunicação reativa, contato físico ainda relevanteRelacionamento contínuo e digital, pautado pela admiração do cliente pela marca, com personalização e comunicação proativa e contextual
Geração distribuídaConexão passiva, MMGD tratada como carga negativaCoordenação ativa via DERMS, hosting capacity dinâmico, flexibilidade como recurso, agregação e prestação de serviço ancilar
Planejamento de redeBaseado em crescimento de carga (CAPEX)Non-Wires Alternatives, planejamento probabilístico de múltiplos horizontes e integração contínua com a operação por meio de modelos elétricos atualizados
ReceitaPredominantemente reguladaPredominantemente regulada + receita complementar de serviços ancilares, novos produtos e serviços de valor agregado (plataforma, BU-Flexibilidade)
Mercados locaisEscopo inexistenteOpera Local Flexibility Markets (LFM) via plataforma própria
Novos negóciosInfraestrutura energética diversificadaInfraestrutura energética diversificada: plataforma integrada para agregação e trading de flexibilidade
Cultura e talentoEngenharia + operação tradicional, silos funcionaisEngenharia + dados + produto + regulatório integrados; capacidades cross-funcionais; gestão de mudanças
Posicionamento institucionalPlayer de mercadoPlayer + influenciador; protagonista nas discussões setoriais
Cap. 03, Declaração da visão03
04PAPEIS

Quais papéis poderemos assumir no futuro?

Contexto editorial

A Energisa do Futuro pode exercer simultaneamente diferentes funções, com graus distintos de maturidade e implicações organizacionais. Esses papéis serão delimitados fundamentalmente pela regulação — por isso, deseja-se que a Energisa exerça influência no regulador de acordo com os seus interesses, defendendo a neutralidade funcional combinada com o reconhecimento de que o DSO tem papel de operador do sistema.

Centro de operação da rede: operador acompanha painéis com mapas de rede elétrica, indicadores e curvas de carga em tempo real
Ambiente regulado

Operadora de infraestrutura (Wires)

Função primária

Garantir a entrega física da energia com qualidade, confiabilidade e resiliência. Engenharia, manutenção, expansão e recomposição.

Implicação organizacional

Mantém o núcleo histórico, mas evolui para integração com dados e automação avançada.

Operadora ativa do sistema (DSO)

Função primária

Coordenar em tempo real fluxos de energia, tensão, restrições e REDs; antecipar contingências; despachar recursos distribuídos quando aplicável; contratar flexibilidade.

Implicação organizacional

Novo centro de operação evoluído; ADMS/DERMS integrados; novos papéis (despachante de REDs, engenheiro de sistemas distribuídos).

Facilitadora de mercado (Market Facilitator)

Função primária

Habilitar mercados locais de flexibilidade e solicitar despachos de REDs para garantir segurança, confiabilidade e eficiência do sistema, habilitando a contratação de serviços ancilares e garantindo condições de participação a agregadores e prosumidores.

Implicação organizacional

Mesa de contratação de flexibilidade, regras de mercado, neutralidade funcional rigorosa e estrutura organizacional separada da operação do sistema.

Comercializadora regulada

Função primária

Garantir o fornecimento aos consumidores que optam por permanecer no ACR, contratando energia via leilões regulados e otimizando os custos operacionais dos serviços comerciais, sem comprometer a satisfação.

Implicação organizacional

Gestão do portfólio de contratos regulados; eficiência operacional para redução de custos comerciais; equilíbrio econômico-financeiro frente ao carregamento financeiro e às limitações do ambiente regulado.

Palavra da liderança

“A distribuição, no futuro, não deixa de ser o que é hoje: continua responsável por uma rede segura, confiável e eficiente, e essa responsabilidade só aumenta em um sistema dominado por recursos distribuídos e intermitentes.  O que muda é como cumprimos esse dever. Passamos de uma operação que reage a alarmes para uma operação que antecipa, com observabilidade até a baixa tensão e decisão assistida por dados.  Nada disso é modernização pela modernização: é o que nos permite conectar mais recursos, evitar investimentos desnecessários e entregar mais qualidade aos clientes.”

Gioreli de Sousa Filho, Vice-Presidente de Redes do Grupo Energisa
Gioreli de Sousa Filho
Vice-Presidente de Redes · Grupo Energisa
Ambiente não regulado

Prestadora de serviço de flexibilidade

Função primária

Reunir e coordenar REDs como portfólio único, funcionando como intermediário entre esses ativos e o operador do sistema para viabilizar sua participação nos mercados de energia, flexibilidade e serviços ancilares. Dá escala e despachabilidade ao que, isolado, não acessaria o mercado.

Implicação organizacional

Capacidade de atuar como provedor de flexibilidade; sistemas para controlar remotamente os recursos, traduzindo comandos do DSO em ajustes físicos de carga ou geração; adaptação do modelo organizacional para explorar mercados de flexibilidade.

Comercializadora não regulada

Função primária

Compra e venda de energia por contratos bilaterais no ACL, como agente autorizado pela ANEEL e registrado na CCEE, sem deter ativos de rede.

Implicação organizacional

Estrutura de trading (originação, compra e venda, gestão de posição); gestão de risco de preço e volume frente à exposição ao PLD; back-office de liquidação na CCEE; ring-fencing de isonomia, sem acesso preferencial a dados ou à base cativa de distribuidoras coligadas.

Palavra da liderança

“O mercado de flexibilidade é uma oportunidade de obter novas receitas que o setor elétrico brasileiro vai abrir nos próximos anos, e ele nasce dos ativos que já estão do lado do cliente: baterias, geração própria, frotas elétricas, cargas que podem se deslocar no tempo. Nosso papel fora do ambiente regulado é agregar essa capacidade dispersa e transformá-la em produto: armazenamento como serviço, eficiência energética, soluções de resiliência para quem não tolera interrupção.  Cada megawatt flexível que conseguimos coordenar vira receita para o Grupo e economia para o cliente. Já provamos que funciona em ambiente real. O que vem agora é escala.”

Guilherme Perdigão, Vice-Presidente de Soluções Energéticas do Grupo Energisa
Guilherme Perdigão
Vice-Presidente de Soluções Energéticas · Grupo Energisa
Cap. 04, Papéis e funções04
05PERSPECTIVAS DE FUTURO DA DISTRIBUIÇÃO

Definindo o Futuro da Distribuição através da visão de várias perspectivas sobre ela

Contexto editorial

O futuro da distribuição será resultado da convergência de diferentes forças que já transformam o setor e das escolhas que faremos para responder a elas. As 13 dimensões traduzem essa transformação sob duas perspectivas complementares: o que muda ao nosso redor e o que precisamos transformar dentro de casa. Juntas, orientam uma visão integrada de mercado, tecnologia, regulação, clientes, operação, pessoas e novos negócios, conectando as transformações do mundo à nossa capacidade de agir sobre elas.

Roda das 13 dimensões do futuro da distribuição

Perspectivas externas

Dimensões que traduzem as relações e forças que influenciam o futuro da distribuição. Agentes fundamentais para antecipar mudanças, responder às novas demandas e compreender diretrizes mercadológicas capazes de influenciar as próximas decisões.

5.1
Clientes
5.2
Reguladores (ANEEL e MME)
5.3
ONS / Interface TSO–DSO
5.1

Clientes

Visão de futuro

A experiência do cliente evolui para um modelo proativo, digital e personalizado, no qual a distribuidora oferece maior previsibilidade, transparência e novas soluções energéticas. O cliente se torna protagonista de suas escolhas: pode migrar para o mercado livre, programar o carregamento do veículo elétrico no horário de menor custo, acionar ou suspender equipamentos nos momentos de maior valor tarifário e monetizar sua geração distribuída ou flexibilidade de carga.

O relacionamento deixa de ser transacional e passa a ser contínuo, antecipando necessidades e oferecendo serviços alinhados ao perfil de consumo. Com a expansão do mercado livre, o cliente passa a se relacionar com dois fornecedores — um de serviços de rede e outro de comercialização de energia, exigindo da distribuidora clareza, excelência e digitalização dos serviços de rede. Ao mesmo tempo, busca um ecossistema digital que integre fornecimento de energia, geração distribuída, armazenamento, mobilidade elétrica, eficiência energética e serviços financeiros em experiências personalizadas.

Capacidades principais
  • Comunicação proativa sobre interrupções, condições da rede, qualidade do produto e orientação personalizada de consumo, entregues em tempo hábil para possibilitar ações dos clientes
  • Jornadas digitais completas para serviços regulados, com previsibilidade de prazos de conexão e atendimento, em plataformas orientadas ao relacionamento contínuo e ao uso de dados para personalização
  • Suporte à integração de geração distribuída, mobilidade elétrica e armazenamento, com ofertas personalizadas associadas ao perfil de uso da rede
  • Comunicação eficiente sobre tarifas flexíveis, apoiando o processo decisório com informações em tempo real sobre oportunidades e ofertas
  • Suporte ao cliente na jornada do mercado livre, com clareza sobre os papéis de cada agente e orientação sobre as opções desse novo mercado
Requisitos
  • Plataformas digitais integradas com visão unificada do cliente e integração entre dados técnicos da rede e canais de atendimento
  • Inteligência artificial aplicada à experiência do cliente, viabilizando personalização, recomendação de serviços e antecipação de demandas
  • Governança de dados que garanta consistência e uso responsável da informação em todos os pontos de contato
  • Integração com infraestrutura de resposta à demanda e dispositivos inteligentes (carregadores de VE, armazenamento residencial, equipamentos controláveis), viabilizando recomendações e automações orientadas ao benefício econômico do cliente
  • Capacidade de traduzir dados técnicos de consumo e tarifação em linguagem de valor econômico acessível, com simulações de economia, alertas de oportunidade e visibilidade do impacto financeiro das decisões energéticas
5.2

Reguladores (ANEEL e MME)

Visão de futuro

Do ponto de vista da ANEEL, o futuro da distribuidora será se tornar uma plataforma de serviços de rede eficiente, resiliente e que viabiliza a transição energética sem comprometer a modicidade tarifária e a universalização do acesso. O regulador espera que a distribuidora evolua para o papel de Operadora do Sistema de Distribuição (DSO), gerenciando ativamente fluxos bidirecionais, integrando recursos distribuídos e enviando sinais econômicos corretos aos consumidores, por meio de tarifas que reflitam o custo real do uso da rede.

Capacidades principais
  • Abertura de mercado: com a ampliação do mercado livre para o Grupo B, a distribuidora atua como prestadora de serviços de rede, separando claramente transporte de comercialização, com acesso isonômico e transparência tarifária
  • Tarifas com sinalização econômica: avanço de tarifas horárias e mecanismos de resposta à demanda, para que os preços sinalizem o custo real do uso da rede em diferentes horários
  • Resiliência e qualidade do fornecimento: aprimoramentos regulatórios para viabilizar investimentos, com planos de contingência, metas de qualidade mais rigorosas e maior satisfação percebida
  • Integração de recursos distribuídos e armazenamento: regulamentação de acesso e remuneração de MMGD, armazenamento e mobilidade elétrica, com controle técnico e operativo pelo DSO
Requisitos
  • Digitalização das redes e observabilidade compatível com a supervisão regulatória
  • Tratamento regulatório do armazenamento como recurso de rede
  • Operacionalidade e controlabilidade de REDs
  • Open Energy e governança de dados do setor
  • Eletromobilidade e integração de novas cargas
  • Abertura de mercado e modernização das tarifas
  • Satisfação dos consumidores e monetização de novos serviços (EaaS, baterias, flexibilidade)
5.3

ONS / Interface TSO–DSO

Visão de futuro

O crescimento da geração distribuída e dos recursos energéticos descentralizados impõe um novo papel à distribuidora no contexto do Sistema Interligado Nacional (SIN). O ONS observa condições operacionais da rede, identifica gargalos e demanda atuação das distribuidoras para atender aos requisitos desejados. A distribuidora torna-se agente ativo na coordenação com o ONS, despachando REDs de acordo com as diretrizes operativas recebidas do operador.

Os vetores emergentes — carga, geração, veículos elétricos, armazenamento distribuído e novas cargas de alta densidade — tornam-se alternativas de flexibilidade para o SIN e para o sistema de distribuição.

Capacidades principais
  • Atendimento às necessidades sistêmicas identificadas pelo ONS por meio do despacho de REDs na rede de distribuição, a partir de programações em diferentes horizontes temporais (semanais, diários, etc.)
  • Compartilhamento de dados em tempo real sobre REDs despachados e métricas de desempenho
  • Oferta de flexibilidade agregada da distribuição como recurso do SIN, incluindo BESS e resposta da demanda (RD)
  • Modelos de previsão de geração distribuída compatíveis com o planejamento do despacho centralizado
  • Participação na alimentação do PDE (EPE) com dados de REDs, hosting capacity e demanda flexível
Requisitos
  • Plataforma de dados em tempo real com interoperabilidade entre sistemas de distribuição e transmissão
  • Estruturação e compartilhamento com o ONS de um inventário dinâmico de REDs conectados, com capacidade, disponibilidade e comportamento, e modelos de previsão com granularidade adequada
  • Evolução regulatória que reconheça o papel do DSO nos Procedimentos de Rede e governança clara da interface DSO–TSO

Perspectivas internas

Dimensões que traduzem como a Energisa pode evoluir para responder às transformações do setor e construir as capacidades da Distribuidora do Futuro. São os elementos que sustentam nossa forma de operar, investir, inovar e criar valor.

5.4
Regulatório
5.5
Planejamento Elétrico
5.6
Operação do Sistema
5.7
Qualidade do Fornecimento
5.8
Gestão de Ativos
5.9
Construção e Execução de Obras
5.10
Proteção à Receita
5.11
Serviços e Produtos Energéticos
5.12
Pessoas, Cultura e Estruturas Organizacionais
5.13
Tecnologia
5.4

Regulatório

Visão de futuro

A regulação deixa de ser tratada como restrição e passa a ser vetor ativo de transformação. O futuro da distribuidora está em posicionar-se como agente propositivo no desenho do arcabouço regulatório brasileiro (advocacy regulatório), participando de consultas públicas da ANEEL, propondo sandboxes regulatórios e contribuindo na construção das normas técnicas que viabilizem o modelo DSO. A regulação habilitadora não emerge espontaneamente: é resultado de participação sistemática, evidências técnicas robustas e capacidade de articulação institucional.

Capacidades principais
  • Atuação propositiva em consultas públicas da ANEEL e fóruns setoriais, com posicionamentos técnicos sobre MMGD, armazenamento, VE e DSO
  • Proposição de sandboxes regulatórios e protocolos para curtailment, gestão ativa da rede e novos modelos de remuneração
  • Articulação sobre mecanismos de remuneração da flexibilidade, tratamento regulatório do armazenamento e reconhecimento de NWAs na revisão tarifária
  • Monitoramento e análise de impacto regulatório sobre o modelo de negócio da distribuidora
Requisitos
  • Equipe técnico-regulatória capacitada para atuação proativa, com base em evidências quantitativas sobre impactos técnicos e econômicos
  • Articulação integrada entre áreas técnicas, jurídica e regulatória para construção de posicionamentos consistentes
  • Relacionamento institucional sólido com ANEEL, ONS, EPE e entidades representativas do setor
5.5

Planejamento Elétrico

Visão de futuro

O Planejamento Elétrico evolui de um modelo predominantemente determinístico para um modelo probabilístico, dinâmico e integrado à operação, capaz de considerar a presença massiva de REDs, armazenamento, mobilidade elétrica e resposta da demanda. Uma inovação central é a emergência de múltiplos horizontes temporais integrados (operação diária [D+1], médio prazo operativo e expansão de longo prazo), estrutura hoje praticamente inexistente nas distribuidoras brasileiras, que diferencia uma distribuidora passiva de um DSO maduro.

O planejamento passa a incorporar cenários de flexibilidade e alternativas não físicas aos reforços tradicionais, inclusive o conceito de solução intermediária rotativa, em que ativos como BESS são utilizados para postergar investimentos estruturantes.

Capacidades principais
  • Planejamento probabilístico em múltiplos horizontes integrados, considerando incertezas de carga, GD, eletrificação, hosting capacity e limites operativos, com avaliação de flexibilidade, armazenamento e NWAs como alternativas ou complementos a reforços físicos, incluindo rotação de ativos como BESS entre pontos da rede
  • Integração contínua entre planejamento e operação por meio de modelos elétricos atualizados, com uso de digital twins
  • Monitoramento de tendências de mercado com impacto na rede: MMGD, frotas de VE, grandes cargas emergentes e BESS de clientes
  • Planejar de modo integrado OPEX e CAPEX, numa visão única de custo total, incorporando o impacto da cadeia de suprimentos no dimensionamento da obra, no fluxo de caixa e no cronograma
  • Valorar e comparar, sob incerteza, a melhor decisão de investimento entre reforços de rede e soluções NWAs, indicando cenários de adiar, expandir, substituir ou escalar
Requisitos
  • Modelo elétrico confiável, georreferenciado e continuamente atualizado, com medição inteligente e sensoriamento em MT e BT
  • Ferramentas analíticas avançadas com previsão de carga incorporando incerteza de GD, VE e flexibilidade, apoiadas por IA, simulações probabilísticas e digital twin
  • Governança de dados e processos decisórios integrados entre planejamento e operação
  • Sistemas integrados para gerenciamento e controle de REDs
  • Equipe técnica de planejamento capacitada em analytics e REDs/NWAs
  • Integração com a cadeia executora (suprimentos, finanças, logística e construção) para sincronização entre planejamento, contratação e execução das obras
5.6

Operação do Sistema

Visão de futuro

A operação evolui para um modelo de gestão ativa da rede em tempo real, com automação, granularidade de visibilidade e atuação coordenada sobre recursos distribuídos. O centro de operação torna-se ambiente de decisão assistida por analytics avançado.

A operação deixa de ser baseada exclusivamente no estado e nas cargas da rede para gerenciar simultaneamente REDs, rede e cargas, mantendo sistema e negócios em funcionamento em um ambiente crescentemente descentralizado.

Capacidades principais
  • Operação integrada ADMS + DERMS, com visibilidade ampliada em MT e BT e estimativa de estado da rede
  • Automação avançada com funções como self-healing/FLISR, Volt-var, controle coordenado de tensão via REDs e uso de armazenamento como recurso operacional
  • Proteção adaptativa e direcional para redes bidirecionais, com equipamentos compatíveis com fluxo reverso e alta penetração de MMGD
  • Operação orientada por eventos e apoiada por IA para previsão de carga/GD, recomposição ótima e integração operacional com o TSO
Requisitos
  • ADMS integrado ao DERMS, com telemetria, sensoriamento e automação de campo em MT e BT
  • Esquemas e equipamentos de proteção adequados a fluxo bidirecional, com proteção direcional e ajustes adaptativos
  • Equipe técnica de operação capacitada em analytics e REDs/NWAs, apta a interpretar sistemas especialistas e saídas de modelos de IA
  • Inteligência artificial aplicada à operação e suporte avançado à decisão do operador, com procedimentos adaptados a REDs massivos e eventos climáticos severos
  • Soluções de medição avançada para atender à flexibilidade da operação e ao crescimento dos novos clientes
  • Observabilidade dos REDs integráveis ao novo sistema, via sensoriamento, medição, automação e telecomunicações
  • Sensoriamento e automação da rede com robustez e flexibilidade operacional para orquestração do sistema
5.7

Qualidade do Fornecimento

Visão de futuro

A qualidade do fornecimento evolui de uma gestão reativa, orientada ao cumprimento de indicadores regulatórios, para uma gestão proativa e preditiva, orientada à experiência do cliente e ao atendimento dos indicadores. Com a massificação de REDs, as causas das perturbações tornam-se mais difusas e difíceis de atribuir, o que exige capacidade de identificar, antecipar e explicar eventos de qualidade de tensão e interrupções para clientes, regulador e operadores, de forma transparente.

Ao mesmo tempo, a flexibilidade e o controle ativo dos REDs passam a ser incorporados como recurso para a própria melhoria da qualidade, permitindo suporte de tensão, mitigação de distúrbios e maior resiliência da rede.

Capacidades principais
  • Monitoramento contínuo de DEC, FEC, qualidade de tensão e VTCD por circuito e região, com identificação antecipada de degradação
  • Análise de reclamações de nível de tensão com rastreabilidade até a causa raiz, considerando o impacto de REDs
  • Comunicação proativa e acessível sobre eventos de qualidade e suas causas, integrando gestão técnica e experiência percebida pelo cliente
Requisitos
  • Sensoriamento adequado em pontos críticos da rede e integração entre ADMS, medição e canais de atendimento
  • Modelos analíticos para correlação entre condições da rede, comportamento de REDs e ocorrências de qualidade
  • Alinhamento regulatório com a evolução normativa da ANEEL, com capacidade de reportar a relação entre integração de REDs e indicadores de qualidade
5.8

Gestão de Ativos

Visão de futuro

A gestão de ativos, já orientada por risco, condição e criticidade sistêmica, tornar-se-á ainda mais orientada por dados à medida que a observabilidade da rede aumenta, o que amplia o volume de dados operacionais e de sensoriamento para otimizar manutenção, substituição e modernização de equipamentos. O ciclo de vida dos ativos passa a considerar o impacto da transição energética e o papel dos ativos na flexibilidade da rede. O padrão de rede precisará ser reavaliado para incorporar equipamentos capazes de responder a eventos ocorridos.

Capacidades principais
  • Monitoramento do ciclo de vida dos ativos para tomada de decisão (inspeção, manutenção, reforma, substituição e investimento)
  • Priorização de investimentos baseada em risco sistêmico, criticidade, impacto na integração de REDs, qualidade do serviço e retorno sobre o capital investido
  • Gestão do ciclo de vida considerando resiliência climática, novos regimes operativos e a transição energética
  • Integração entre operação, manutenção, planejamento e engenharia de ativos, com capacidade analítica para otimizar CAPEX e OPEX
  • Visão unificada dos ativos considerando dados de GIS, SCADA, ADMS, OMS, sistemas de manutenção, ERP, telemetria de campo, inspeções, ensaios, dados financeiros e modelos analíticos
  • Priorizar CAPEX e OPEX por valor sistêmico
Requisitos
  • Base integrada de dados históricos (falhas, intervenções, carregamento) e de ativos (dados de placa), viabilizando gestão baseada em risco e condição
  • Integração entre dados de operação, manutenção e estratégia de renovação de ativos
  • Plataforma Asset Intelligent, conectando ferramentas de desenvolvimento de IA e biblioteca de algoritmos especialistas, para desenvolvimento ágil de modelos e automatização de inspeções, como o uso de drones
  • Equipe técnica especialista capacitada em analytics, desenvolvimento no-code/low-code e gestão de ativos
5.9

Construção e Execução de Obras

Visão de futuro

A construção evolui para a digitalização ponta a ponta de toda a sua jornada, oferecendo aos clientes informações contínuas e em tempo real sobre o andamento das etapas e o status das obras. Com o uso de IA, são automatizados os processos de análise de novas conexões, além da otimização e roteirização do planejamento e da programação dos serviços. A execução em campo passa a ser acompanhada em tempo real, enquanto os custos de fiscalização são reduzidos por meio de inspeções baseadas em imagens e inteligência artificial.

Além disso, o sistema produtivo de execução em campo é modernizado por meio de automações e da adoção de modelos construtivos mais modulares e compactos, reduzindo o ciclo de vida das obras e diminuindo a dependência de mão de obra intensiva.

Capacidades principais
  • Execução ágil e em escala de obras através de modelos construtivos mais modulares e compactos, que reduzam o ciclo de vida da obra e sejam menos intensivos em mão de obra
  • Implantação de NWAs e soluções de armazenamento como alternativa a obras convencionais, com ciclos de execução mais curtos
  • Gestão de contratos de serviço com eficiência em custo, qualidade e prazo, incorporando metodologias como LEAN Construction
  • Integração entre engenharia de projetos, planejamento elétrico e operação para priorização e sequenciamento de obras
Requisitos
  • Padrões técnicos de rede atualizados para incorporar equipamentos digitais, de automação e de armazenamento
  • Veículos, equipamentos e ferramentas para automatização dos processos de execução
  • Cadeia de fornecedores qualificada para projetos de modernização digital, com ferramentas de gestão de contratos com visibilidade em tempo real
  • Integração entre o sistema de gestão de obras e as plataformas de planejamento elétrico e operação, com rastreabilidade de impacto nos indicadores
5.10

Proteção à Receita

Visão de futuro

A Proteção à Receita evolui para um modelo integrado, preditivo e contínuo de preservação do fluxo econômico da distribuidora, combinando gestão avançada de perdas técnicas e não técnicas com gestão inteligente de recebíveis. O uso intensivo de dados, IA e medição inteligente permite localização mais exata das perdas e identificação de padrões de consumo, pagamento e risco, viabilizando intervenções segmentadas e economicamente eficientes. A atuação passa a ser orientada por probabilidade de risco e priorização dinâmica, integrando dados técnicos, comerciais e comportamentais.

Capacidades principais
  • Detecção analítica de perdas não técnicas com granularidade por transformador, circuito e cliente, com fechamento de balanços de energia
  • Previsão de inadimplência e segmentação dinâmica de clientes por risco de crédito e perfil de relacionamento
  • Visão unificada do risco de receita por cliente, integrando perdas e recebíveis, com priorização por impacto econômico
  • Integração com fintechs e métodos de pagamento flexíveis e plug-and-play, adequando a solução de recuperação ao perfil de cada cliente
  • Corte e religação remotos
  • Desenho e aplicação de tarifas inteligentes adequadas a cada perfil de consumo, visando proteção e maximização da receita, redução de inadimplência e de perdas não técnicas
Requisitos
  • Infraestrutura de medição inteligente (AMI) com granularidade adequada e processamento contínuo de dados
  • Modelos de IA para detecção de anomalias, previsão de inadimplência e segmentação comportamental
  • Arquitetura de dados integrando MDM, CIS, CRM, plataformas analíticas e open/embedded finance, com governança e rastreabilidade
5.11

Serviços e Produtos Energéticos

Visão de futuro

O Grupo Energisa passa a viabilizar um ecossistema de novos serviços energéticos associados ao uso da rede, posicionando-se não apenas como transportadora de energia, mas como provedora de serviços integrados, habilitadora de mercados de flexibilidade e orquestradora de um ecossistema digital que diversifica receitas além da tarifa regulada. A rede elétrica deixa de ser apenas meio de transporte para tornar-se plataforma habilitadora de novos mercados, serviços e experiências digitais, conectando clientes, ativos, dispositivos inteligentes, comercializadores e parceiros em um ambiente integrado e orientado a dados.

Nesse novo papel, a Energisa captura valor pela operação eficiente da rede e serviços associados; pela transformação de dados energéticos em inteligência aplicada a produtos e decisões; e pela agregação de transações entre os agentes do ecossistema, como prosumidores, comercializadores, fintechs, fabricantes e prestadores de serviços. A inteligência artificial atua como camada estrutural, integrando negócios regulados e não regulados, com rigor em neutralidade competitiva, privacidade e conformidade regulatória.

Capacidades principais
  • Integrar e coordenar REDs, armazenamento, mobilidade elétrica e demanda flexível, estruturando e contratando serviços de flexibilidade junto a prosumidores, agregadores e grandes consumidores, incluindo o uso de NWAs como substituto técnico a reforços físicos
  • Habilitar marketplaces onde múltiplos agentes transacionam serviços energéticos, com criação de produtos baseados em dados, previsões, recomendações personalizadas e gestão energética para clientes residenciais, comerciais e industriais
  • Monetizar ativos digitais para o ecossistema, gerando receita complementar a partir de serviços de dados, plataformas de integração, inteligência energética, serviços analíticos e soluções digitais para terceiros
  • Desenvolver e escalar portfólio competitivo de serviços energéticos sob marca dedicada: eficiência energética, GD como serviço, mobilidade elétrica (incluindo V2G e VE-como-serviço B2B) e gestão de energia B2B, com jornadas digitais personalizadas suportadas por IA
  • Integração estratégica entre negócios regulados e não regulados, articulando sinergias com governança rigorosa de neutralidade e separação informacional como ativos institucionais não negociáveis
Requisitos
  • Arquitetura digital aberta, modular e orientada a eventos: plataforma corporativa baseada em APIs abertas, microsserviços, processamento em tempo real e padrões de mercado, com interoperabilidade fluida com agregadores e parceiros
  • Plataforma de dados energéticos integrada, consolidando dados de rede, medição, sistemas comerciais, dispositivos e parceiros, com qualidade, rastreabilidade, privacidade, cibersegurança e conformidade regulatória
  • Capacidades industriais de IA, analytics e automação, com estrutura de ciência de dados e ciclo contínuo de melhoria, habilitando personalização e orquestração em escala
  • Modelo operacional orientado a produtos e ecossistemas, com squads cross-funcionais (engenharia, dados, produto, regulatório, comercial) dedicados à evolução contínua dos produtos digitais
  • Governança de neutralidade competitiva e evolução regulatória ativa, com separação formal entre o DSO regulado e os negócios competitivos do Grupo
5.12

Pessoas, Cultura e Estruturas Organizacionais

Visão de futuro

A transição para o modelo DSO (Distribution System Operator) depende de uma transformação estrutural das competências institucionais, da governança e do capital humano. A operação de uma rede dinâmica, bidirecional e descarbonizada exige superar os tradicionais silos funcionais em favor de uma organização integrada, orientada a dados e ágil por design. Nesse paradigma, emergem papéis híbridos e multidisciplinares, como engenheiros de sistemas de potência especializados em inteligência artificial, analistas de regulação por incentivos, especialistas em mercados de flexibilidade e profissionais de cibersegurança industrial (OT).

A cultura corporativa deve combinar rigor técnico e o valor “Vida em Primeiro Lugar” com experimentação, curiosidade e decisões orientadas por evidências. A gestão da mudança passa a ser uma capacidade permanente de liderança, fortalecendo a resiliência e o protagonismo das equipes para transformar inovação tecnológica em valor para o cliente e eficiência reconhecida pelo regulador.

Capacidades principais
  • Tomada de decisão integrada entre engenharia, dados e tecnologia, combinando conhecimento técnico, analítico e de negócio em decisões coerentes de operação, planejamento, retorno sobre investimento, ativos e cliente
  • Execução cross-funcional integrada, mobilizando engenharia, tecnologia, dados, regulatório e negócio em torno de objetivos compartilhados, com responsabilidade conjunta pelo resultado
  • Desenvolvimento de lideranças maduras, articuladas e empáticas, capazes de gerenciar a ansiedade natural de processos de transformação e criar ambientes de inovação, aprendizado contínuo e segurança para reportar falhas
  • Mapear impactos humanos antes da implementação de novas tecnologias, garantindo que dores de experiências reais sejam consideradas de forma estruturada, com programas de mentoria técnica
Requisitos
  • Diagnóstico de lacunas de competências em relação ao modelo-alvo DSO, com plano de desenvolvimento estruturado
  • Programas de capacitação em tecnologias habilitadoras (ADMS/DERMS, analytics, IA, gestão de REDs, modelagem de negócio e financeira com avaliações estocásticas, cibersegurança) e gestão de talentos multidisciplinares
  • Mapeamento de competências e auditorias periódicas de habilidades (skill gap analysis)
  • Estruturação de programas contínuos de capacitação técnica
  • Revisão do organograma corporativo para oficializar e valorizar novos cargos
  • Planos estruturados de mentoria e transição de carreira para colaboradores essenciais
5.13

Tecnologia

Visão de futuro

A tecnologia deixa de ser uma função de suporte e assume o papel de núcleo do ecossistema de operação e negócios do Grupo. Materializa-se em uma arquitetura unificada, cibersegura por design e orientada a dados em tempo real, conectando ativos físicos na borda da rede (Grid Edge) a modelos preditivos de decisão e mercado. Essa infraestrutura sustenta a orquestração da rede do futuro por meio da convergência de sistemas ADMS, DERMS e plataformas de flexibilidade de mercado.

A tecnologia viabiliza a transição de uma operação reativa para uma gestão preditiva, dinâmica e automatizada, suportando a expansão de geração distribuída, mobilidade elétrica e armazenamento. A digitalização também redefine a relação com o cliente por meio de jornadas personalizadas baseadas em dados de medição inteligente (AMI), fortalece a proteção da receita com Machine Learning e otimiza o ciclo de vida dos ativos (APM). Mais que modernização, consolida a capacidade de transformar dados operacionais e corporativos em ações coordenadas, garantindo resiliência cibernética, eficiência regulatória e diferenciação competitiva na era dos 3Ds.

Capacidades principais
  • Disparar automaticamente ações em sistemas corporativos e comerciais a partir de alterações de estado na rede física
  • Captar, tratar e processar dados estruturados e não estruturados de telemetria em alta frequência (habilitador: camada de dados Data Mesh/Lakehouse)
  • Detectar fraudes de forma preditiva, aplicando inteligência artificial em escala industrial
  • Representar a rede em gêmeos digitais para simulação, planejamento e apoio à decisão
  • Observabilidade holística e controle avançado do grid (ADMS/DERMS): monitorar, prever e controlar fluxos de potência da subestação até o grid edge em baixa tensão
  • Identificar e gerenciar restrições de congestionamento, estabilidade de tensão e demais distúrbios provocados por REDs, cargas e demais ativos
  • Operar a infraestrutura de medição e explorá-la como fonte de sensoriamento, produzindo dados de faturamento que alimentam a observabilidade da rede e a verificação de eventos
  • Observar a qualidade de energia na rede (PRODIST 8) da subestação ao grid edge, combinando dados de medição com sensoriamento dedicado onde forem insuficientes
  • Habilitar e verificar a flexibilidade do lado da demanda, viabilizando programas de resposta à demanda e participação em mercados locais de flexibilidade
  • Aplicar governança rigorosa sobre dados operacionais (OT) e corporativos (IT), assegurando qualidade, linhagem, catalogação e conformidade
  • Garantir a conexão de novos REDs e o tráfego de dados de forma segura, adotando padrões de segurança em cada camada e ativo conforme o framework do Grupo
Requisitos
  • Governança de segregação IT/OT com cibersegurança por design, de acordo com normas e frameworks de segurança já estabelecidos no Grupo
  • Alternativas técnicas e financeiramente viáveis de comunicação, com conectividade multitecnológica para cobertura de ativos de distribuição, com latência e disponibilidade adequadas à orquestração, supervisão e controle em tempo real
  • Conformidade com padrões globais de comunicação e interoperabilidade (elementos passivos e ativos)
  • Unificação de cadastro e modelo de dados sob o padrão CIM, com adoção mandatória das normas IEC 61970 e IEC 61968, assegurando que o gêmeo digital da rede seja idêntico para o Planejamento, o ADMS e o GIS
Cap. 05, PERSPECTIVAS DO FUTURO DA DISTRIBUIÇÃO05
06O futuro escrito hoje

Do diferencial competitivo aos projetos estruturantes

O futuro da distribuição começa a ser construído hoje, a partir de ideias, iniciativas e trabalhos colaborativos que antecipam as transformações do setor. Programas como APM e GRIDVortex, entre outras frentes, endereçam as capacidades e requisitos já definidas neste documento de visão.

O APM (Asset Performance Management) é uma abordagem de gestão de ativos orientada por dados que integra informações operacionais, de manutenção, inspeção e monitoramento para apoiar decisões mais assertivas ao longo do ciclo de vida dos ativos. Seu principal objetivo é aumentar a confiabilidade, disponibilidade e vida útil da infraestrutura elétrica, reduzindo falhas, riscos operacionais, custos de manutenção e investimentos não otimizados, ao mesmo tempo em que fortalece a rastreabilidade e a governança das decisões. Na prática, o APM transforma dados dispersos em inteligência aplicada, monitorando a condição dos ativos, calculando indicadores de saúde e criticidade, identificando anomalias, estimando vida útil remanescente e recomendando as melhores ações de manutenção, substituição ou investimento.

Ao longo dos últimos anos, a Energisa construiu importantes capacidades nessa direção por meio de iniciativas como SOMA, CEMAC, SiSDrones, VERA e SOMATRAFO, que permitiram ampliar o monitoramento, a análise de desempenho e a gestão de risco dos ativos. O projeto surge como a evolução dessa jornada, conectando e expandindo essas capacidades em uma visão integrada de inteligência de ativos, capaz de transformar dados em decisões rastreáveis e geração de valor para o negócio.

O GridVortex é o programa estratégico da Energisa para transformar o planejamento da expansão e modernização das redes de distribuição. Um modelo integrado de planejamento e otimização de investimentos que conecta dados, especialistas, inteligência analítica e processos de decisão, apoiando todo o ciclo de planejamento da distribuição.

O GridVortex construirá a base para o planejamento elétrico e a tomada de decisão que o futuro da distribuidora exige. A transição para uma operadora ativa de um sistema energético distribuído pressupõe planejar de forma dinâmica e ágil, considerando cenários de crescimento de geração distribuída, veículos elétricos, armazenamento e flexibilidade como variáveis reais.

O GridVortex conecta a evolução do planejamento elétrico à eficiência na alocação dos investimentos, criando uma base de decisão compatível com o futuro da distribuidora. Ao conectar planejamento, análise de alternativas, otimização de TOTEX e aprendizado a partir da execução, o produto permite que as decisões sejam continuamente aprimoradas a partir dos resultados realizados. Sem um planejamento elétrico moderno, nenhuma das capacidades do futuro da distribuidora se sustenta.

O FlexLab constrói a base para subsidiar a visão de longo prazo do Grupo, o mercado de flexibilidade. Avalia e estrutura capacidades que habilitam otimizar custos e investimentos no fio, pelo papel DSO, e a criar novas linhas de receita através do serviço agregado de flexibilidade, pelo papel Agregador.

Atravessando as duas frentes, cria base real e sólida para construção e influência regulatória, de forma intencional e objetiva: cada piloto gera a evidência que sustenta o marco que ainda não existe. O FlexLab avança na materialização da visão de futuro proposta neste documento, por meio de projetos aprovados na primeira chamada aberta. Os planos de trabalho estão sendo construídos dando início à aplicação de soluções em ambiente real e transformando hipóteses em aprendizados, capacidades e novas possibilidades para o negócio concretizando-se no lego da flexibilidade abaixo:

Arquitetura de ativos despacháveis: controlabilidade, inteligência de flex, observabilidade e previsibilidade no DSO, programa de resposta da demanda e agregador, sobre a plataforma FlexGrid do FlexLab
Arquitetura conceitual e ilustrativa dos ativos despacháveis
Cap. 06, O futuro escrito hoje06
Energisa · O Futuro da Distribuidora

Este documento é o marco de entrega da Visão do Grupo Energisa a respeito do Futuro da Distribuição que consolida capacidades e requisitos a serem desenvolvidos pelo Grupo, sua visão estratégica sobre o tema e iniciativas que evidenciam o protagonismo do Grupo nessa transformação.

Autores

Autores que participaram da elaboração do Documento de Visão do Grupo Energisa sobre o Futuro da Distribuidora:

Engenharia e Redes
Douglas Eugênio, Tercius Cassius e Diego Buriti
Proteção à Receita
Newton Augusto Magalhães
Diretorias Técnicas
Roberto Carlos, Fábio Lancelotti
Diretoria de Gente
Alessandro Brum
Regulatório
Rodrigo Santana, Amanda Lacerda
Tecnologia
Sávio Ricardo e Felipe Rosa
(RE)ENERGISA
Camila Schoti, Gabriel Mussi
Estratégia
Marcus José Albernaz e Milena Amorim
Inovação
Leticia Dantas, Daniela Nery, Alexandre Menezes, José Eduardo Pereira, Camila Barbosa e Wendell Teixeira
Publicação
O Futuro da Distribuidora
Visão do Grupo Energisa
Realização
DEIN - Grupo Energisa
 
 
Energisa · O Futuro da Distribuição
Edit with